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Imaginemos uma jovem pesquisadora empenhada em saber como as mulheres contribuíram para a história da filosofia ocidental. Ela se voltaria primeiramente para a Grécia antiga e para Platão. Com sorte poderia encontrar o Simposium, onde Sócrates fala de algumas lições que recebeu, certa vez, de uma mulher de Mantinea chamada Diotima - uma mulher profundamente versada neste e em muitos outros campos do conhecimento. Sócrates afirmou que Diotima é a fonte tanto da "ideia platônica" quanto do "método socrático". Se levarmos Sócrates a sério, temos que acreditar que a tradição platônica não é absolutamente platônica - é diotímica. Diotima ensinou a ascensão do particular ao principal. Essa não é uma abstração nominalista - simplesmente um nome para uma qualidade encontrada em todos os particulares - mas um progresso experimental para aquela essência que transformou o particular naquilo que é.  Em relação ao filósofo que busca a beleza, ela diz: "Irrompe sobre ele aquela extraordinária visão que é a própria alma da beleza pela qual ele tanto labutou. É uma amorosidade eterna que não vai nem vem, que não floresce nem se estiola: essa beleza é a mesma sempre, a mesma no passado e agora, tanto aqui quanto ali, dessa maneira…
O crescimento espiritual e a busca do autoconhecimento são uma tarefa difícil, pois equivalem a tentar desvendar as coisas do espírito com os olhos da carne. Pode-se encontrar instruções objetivas nos ensinamentos dos sábios. Eles afirmam que não se deve esperar progressos enquanto a pessoa estiver presa aos atrativos mundanos. Não se pode usufruir de ambos os mundos. "As puras águas da vida eterna, claras e cristalinas, não podem se misturar às torrentes lamacentas das tempestades”. Não se pode alcançar as profundezas do oceano e observar suas _ belezas, enquanto se continua a nadar na superfície, buscando a vista da praia. Mas a vida no mundo não é incompatível com a vida do espírito. O que é incompatível é a vida mundana - baseada somente nos sentidos. Muitos desejam ambos e reclamam da falta de progresso no caminho espiritual. Derivam daí vários tipos de problemas e desapontamentos. Para se elevar ao espiritual, o apego ao material tem que ser abandonado. Já que o apego sugere da ilusão de uma identidade separada, o desapego significa mover-se com consciência para a percepção da totalidade. É um meio de autotranscendência e obviamente não pode seguir pari passu com a autoindulgência. Ainda assim, não…
Uma bela manhã, quando seguia para o escritório por um caminho ensombreado e sossegado, próximo ao rio, conheci um professor de filosofia de uma terra distante que fazia sua caminhada matinal Cumprimentam-nos. "Estamos no caminho meditativo", comentou ele. Assim como o caminho à beira do rio, nosso caminho na vida pode também ser agradável se simplesmente o trilharmos no modo meditativo. A meditação e as práticas meditativas têm lugar proeminente em todo a tradições religiosas, sob diferentes nomes e formas. Os padrões e os tipos de meditação variam amplamente. O propósito, ou o objetivo da meditação, pode, de modo semelhante, ser diferente, dependendo de diferentes necessidades, temperamentos e estágios de crescimento do aspirante. Hoje em dia, certas formas de meditação inferior são também prescritas para propósitos limitados ou mundanos, como aliviar a pressão sanguínea e úlceras em pessoas em estado de tensão, e até mesmo para aumentar a concentração de soldados engajados em manobras militares. Há evidências de que existe muito interesse pela meditação; o número de livros que têm aparecido ultimamente sobre o tema é extraordinário, cada um prescrevendo um método diferente, e muitos oferecendo atalhos atrativos. Nas tradições religiosas existe uma variedade de práticas meditativas, Dentro do amplo…
Com que frequência algo acontece que vai além da sua compreensão normal de coincidência ou de oportunidade? Você já experienciou acontecimentos que, embora reais e inquestionáveis, foram produzidos por circunstâncias que deixariam boquiabertos os melhores cientistas? Durante sua pesquisa sobre o fenômeno do inconsciente coletivo, Carl Jung começou a observar coincidências que estavam unidas de maneira tão significativa que sua ocorrência parecia desafiar os cálculos de probabilidade. Ele usou o termo "sincronicidade" para definir ocorrências que iam, segundo sua opinião, muito além do acaso. Os matemáticos podem aferrar-se ao acaso e à teoria das probabilidades, mas isso soa como um mantra desgastado dos anos sessenta em face do que parece ser uma maré crescente de atividade sincrônica. Ou talvez a onda tenha sempre estado aí, mas somente agora as pessoas estejam começando a aprender a senti-la e a flutuar sobre ela. Há algumas décadas nada sabíamos sobre as ondas de rádio, mas hoje em dia, embora ainda não possamos vê-las, não duvidamos de sua existência. De modo semelhante, a sincronicidade não é aplicável apenas à psicologia junguiana, tendo se tornado um termo familiar na vida diária. Devido a uma crescente percepção da sincronicidade e de eventos sincrônicos, há muito mais…
Krishnarnurti disse que a verdade é uma terra sem caminhos. Parece também dizer que o caminho para terra da verdade é um caminho sem trilhas. Não há paradoxo nessas duas concepções, porque o único caminho para a verdade é a prática da própria verdade, assim como o único caminho para a liberdade é a liberdade, e o único caminho para o amor é o amor. Para a verdade, o amor ou a liberdade, nada pode substituir o caminho. Fazendo uma imagem disso, podemos pensar numa enorme montanha; no topo dessa montanha brilha o sol da verdade. Se eu tiver que escalar essa montanha, devo dar passos. Cada passo que eu der deve ser um passo de verdade. Nenhum outro tipo de passo irá levar-me para cima. Portanto, a verdade é não apenas a meta, mas também o caminho para a meta.  Se for a liberdade que brilha lá em cima, então cada passo deve ser um ato de liberdade, de julgamento perfeitamente independente. Devo obter dados, ou material para o julgamento, de outras pessoas, mas não devo ter medo de tomar minhas próprias decisões, por causa da ideia de que alguém pode julgar melhor do que eu. Não se deve…
Este texto foi desenvolvido a partir de uma pesquisa médica intitulada A ciência descobre overdadeiro amor, que corrobora relatos pessoais que me foram feitos por dois médicos famosos, um nos Estados Unidos e outro na Austrália. Citarei alguns trechos desses relatos. "Psiquiatras concluíram que a grande maioria das doenças mentais é causada por desamor. Psicólogos infantis, rivalizando por causa da alimentação programada versus alimentação de demanda, ou espancamento versus não-espancamento, descobriram que nenhuma dessas coisas faz muita diferença, contanto que a criança seja amada."  "Sociólogos descobriram que o amor é a resposta para a delinquência; criminologistas descobriram que ele é a resposta para o crime. Médicos também descobriram que a promiscuidade sexual ocorre, na maioria das vezes, entre pessoas que foram privadas de amor". Este último trecho lembra tanto o psicólogo Jung quanto J. Krishnamurti, que afirmaram não haver problema sexual que não possa ser resolvido pelo amor. Os médicos de Chicago também descobriram que a alta percentagem de mortalidade nos orfanatos diminui quando as crianças são cuidadas por mães adotivas afetuosas. Na verdade, o "amor de mãe" são as plumas que forram o ninho dos ser humano; uma criança que não é amada fica aleijada emocionalmente, e frequentemente fica…
Sempre considerei que existem dois níveis de espiritualidade: num sentido. espiritualidade são as várias religiões. Essa é uma categoria. Num outro tipo de espiritualidade a pessoa permanece como um descrente, isto é, sem nenhuma religião particular. Ao mesmo tempo ela pode ser uma boa pessoa, afetuosa, um ser humano com senso de responsabilidade cooperativa baseado na compaixão e no bom coração. Esse é um outro nível de espiritualidade. Somos seres humanos; todos nós queremos a felicidade, não o sofrimento. Acredito que a ideia básica de qualquer religião seja compaixão, tolerância e perdão. Portanto, a mensagem essencial das diferentes religiões é essencialmente a melhor parte das qualidades humanas e não algo novo. Ao nascer um ser humano, essas qualidades ou as sementes dela já estão lá. O que a religião faz é esclarecer essas boas qualidades e tentar fortalecê-las. Algumas pessoas acreditam que a natureza humana é agressiva. Não concordo com isso. Penso que desde o nosso nascimento até o nosso último dia a compaixão e a afeição são fatores cruciais em nossas vidas. Sendo assim, acredito que o primeiro ato de uma criança e de sua mãe se dá verdadeiramente através da compaixão. Se a mãe tem algum sentimento negativo com relação ao bebê, o leite…